Refugee? No (saiba mais aqui)

09-10-2021

My name is MORINA and Iam remarkable

O meu nome é Morina sou Afegã e tenho 4 filhos, 2 rapazes e 2 raparigas. Trabalhei como Governanta em casa de um Embaixador até à entrada dos Talibãs, novamente, no Afeganistão.

Durante 20 anos foi possível estudar e trabalhar graças à presença militar Americana, sou mulher e no meu país poder fazê-lo e poder proporcioná-lo aos meus filhos, foi uma grande conquista.

Em agosto de 2021 tudo mudou e com a saída repentina das tropas Americanas, as ruas de Cabul viram entrar sem qualquer resistência os Talibãs, armados e triunfantes.

Sou mulher e tenho duas filhas, usar Burka passou a ser outra vez a realidade e a educação uma miragem, anunciava-se um retrocesso de 20 anos e caíram as conquistas por que tanto lutámos.

O terror apoderou-se de nós, passámos a ter preparados os documentos obtidos da UE e um saco para  fugir em caso de emergência.

A nossa fuga para o aeroporto de Cabul, precipitou-se a 23 agosto de 2021, com um ataque à casa onde vivíamos por parte dos Talibãs. O meu marido foi agredido com uma Kalashnikov e durante esta situação confusa, consegui fugir com os meus 3 filhos mais novos. O medo e o desespero tomaram conta de nós. 

No meio dos milhares de pessoas no aeroporto lembro-me de furar, empurrar e querer apenas chegar junto dos militares para que salvassem os meus filhos, a Sana de 7 anos chorava apavorada. Estava disposta a tudo, até a entregá-los para lhes salvar a vida.

Lembro-me mal do que se passou a seguir, a última imagem que tenho é a do meu marido no chão ensanguentado a tentar chegar também ao aeroporto, não sei se está vivo ou se morreu.

Deixei para trás o meu filho mais velho que não estava connosco na altura do ataque, a minha irmã e cunhado  e a minha mãe doente.

Embarcámos no dia a seguir para Islamabad capital do Paquistão e passados dois dias para Madrid, foram dias confusos e muito duros, uma amálgama de gente amontoada em desespero nos aeroportos, um olhar perdido de preocupação pelos que deixávamos para trás e se por um lado sentíamos o alívio porque nos salvámos de uma morte quase certa, por outro lado estávamos a saltar para o desconhecido, para um mundo que não conhecíamos e sem saber como sobreviver.

Sou mulher e apesar de alguns anos de acalmia relativa no meu país, NUNCA FUI LIVRE!

Cheguei a Lisboa a 01 de Setembro de 2021.  Posteriormente fui acolhida com todo o amor e carinho pela Associação EntreMundos. 

Proporcionaram-me uma casa, os meus filhos já estão na escola e praticam desporto. Em Portugal, vi pela primeira vez o mar e senti o frio da água do oceano por entre os dedos e a areia nas palmas dos pés, pude olhar para o horizonte na sua infinitude, coberto de um  céu azul  e ganhar a esperança de um mundo mais justo para todos, com mais generosidade e sobretudo sem guerras.

Tenho aquilo que sempre sonhei, um sonho inalcançável no meu país, o Afeganistão. Graças à generosidade do povo Português e à Associação EntreMundos da qual nunca me vou separar e à qual estarei grata para o resto da minha vida. Salvaram-nos!

Aqui aprendi o significado das palavras PAZ e LIBERDADE!


My name is Morina and i am remarkable!